quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Língua Portuguesa - Sauipe perde o acento, Piauí o mantém

Por Thaís Nicoleti

"A primeira grande investida de Enrique Bañuelos no Brasil ocorreu no ano passado, quando ele ameaçou comprar o complexo hoteleiro Costa do Sauipe, que também vinha registrando prejuízos."

De fato, o topônimo Costa do Sauipe, antes grafado Costa do Sauípe (com acento), agora, depois da reforma ortográfica, perde o acento agudo. Esse acento, na verdade, era mesmo desnecessário. Vamos entender por quê.

Esse é o mesmo caso de palavras como "feiura", "bocaiuva", "baiuca", "boiuno" ou "cauila", em que, embora as letras "i" e "u" estejam sozinhas numa sílaba tônica, o acento não é necessário para garantir a sua pronúncia como hiato.

Em palavras como "saída" e "saúde", por exemplo, a ausência do acento gráfico levaria à leitura das sílabas "ai" e "au" como ditongos ("saida", como "saia", ou "saude", como "fraude"). O acento serve para que as letras "i" e "u" representem vogais inteiras, não semivogais.

Nas palavras em que o "i" e o "u" são antecedidos de ditongos, não há risco de ditongação. O "i" e o "u", nesses termos, vêm imediatamente depois de semivogais. Veja: fei-u-ra , bo-cai-u-va, Sau-i-pe. Vemos, assim, que o acento não era, de fato, necessário nesse caso.

Observe, porém, que, nas palavras oxítonas, o acento permanece mesmo havendo o ditongo antes do "i" e do "u". Assim: Piauí, tuiuiú ou teiú continuam com acento.

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